Eu parada. Encostada na parede da padaria. Debaixo do toldo para escapar da chuva.
As pessoas sobem e descem.
Quem é o menino encoberto num cobertor de cor caramelo com xadrez marrom e com pés descalços?
Ele cobre seu rosto, acende um fósforo na cabana feita em cima de sua cabeça, para quem sabe aquecer o frio.
Ele olha para dentro da padaria, como se tentando encontrar alguém a quem ele possa pedir que lhe um R$1, um prato de comida, ou um pouco de atenção.
Ele procura, mas não encontra.
Dá meia volta e se senta no degrau a fora do comércio.
Ele olha as pessoas, no fundo ele procura.
Mas quem o vê?
Quem é aquela mulher andando rápido, fumando seu cigarro e falando sozinha?
Quem é o trabalhador que embaixo da chuva permanece trabalhando com o carrinho transportando as coca-colas e os guaranás que serão degustados pelos clientes?
Quem é o rapaz que ficou de pé ao meu lado esperando sei lá o que, e cansando da espera foi embora?
Quem somos nós?
Enxergo em cada feição, em cada falar desatinado, em cada olhar perdido, eu enxergo o passado, enxergo a história.
Cada qual, tem absoluta razão de ser o que se é.

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