"O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons."


8 de abr. de 2010

Eu parada. Encostada na parede da padaria. Debaixo do toldo para escapar da chuva.

As pessoas sobem e descem.

Quem é o menino encoberto num cobertor de cor caramelo com xadrez marrom e com pés descalços?

Ele cobre seu rosto, acende um fósforo na cabana feita em cima de sua cabeça, para quem sabe aquecer o frio.

Ele olha para dentro da padaria, como se tentando encontrar alguém a quem ele possa pedir que lhe um R$1, um prato de comida, ou um pouco de atenção.

Ele procura, mas não encontra.

Dá meia volta e se senta no degrau a fora do comércio.

Ele olha as pessoas, no fundo ele procura.

Mas quem o vê?



Quem é aquela mulher andando rápido, fumando seu cigarro e falando sozinha?



Quem é o trabalhador que embaixo da chuva permanece trabalhando com o carrinho transportando as coca-colas e os guaranás que serão degustados pelos clientes?



Quem é o rapaz que ficou de pé ao meu lado esperando sei lá o que, e cansando da espera foi embora?



Quem somos nós?



Enxergo em cada feição, em cada falar desatinado, em cada olhar perdido, eu enxergo o passado, enxergo a história.

Cada qual, tem absoluta razão de ser o que se é.

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