"O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons."


25 de ago. de 2009

Everytime I close my eyes

toda vez que eu fecho os meus olhos,
eu tento compreender essas cenas assistidas,
todas essas colossais peças teatrais
que insistem em continuar sendo ensaiadas...
O ensaio, ele vale de que se a magia do palco está na vivacidade dos atos...
ou se ensaia pela vida inteira,
ou apresenta-se a vida pela vida, na vida que não deixa de ser assistida...
mas já não mais ensaiada...

Se eu soubesse o roteiro, se eu soubesse o desfecho...
tudo seria naturalmente especial?
(...)
o gosto que fica do não saber, alimenta a vontade de não chegar a nenhum
final.
Aumenta a certeza do que eu estou respirando,
porque antes que as cortinas se fechem, eu desejo ter sido eu mesma da melhor maneira
que o personagem atual pode ser...

As luzes se acendem,
os corpos se cruzam,
as palavras são ditas,
o espetáculo começou!
E pra que saber do fim? Porque não ver, ouvir, sentir cada cena como algo único e incessante?
Para que se preocupar se o mocinho ficará com a mocinha?
Se as escolhas estão sendo certas?
Para que me preocupar com o futuro se o presente só é tão bom porque existe na exatidão do momento em que ele é sentido?

Eu já não penso na platéia,
eu já não quero aplausos,
nem a mídia,
só o que eu quero, é a certeza que os nossos olhos se olham e desenrolam frases perfeitas,
mesmo não tendo estudá-las,
só o que eu quero, é o que eu sinto.
Eu já não me importo se dará tempo,
se estão gostando...
Porque eu estou demasiadamente muito ocupada
em perceber as correntes que ligam
meu corpo nessa história...

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